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28 de mar. de 2008

Ainda

Imagem do sol
Ainda


Escuta,

Se o dia está lindo
Ainda lembro do sol refletindo
Na sua pele,
Ofuscando meu olhar.

Se escuto a melodia bailando
Ainda vejo o seu sorriso, ao me ver chegar.
Se chove, eu juro,
ainda sinto seu doce perfume no ar.

Cai a noite, feito um açoite
E eu, ainda assim, e sempre,
Tonto e demente,
Procuro seu rosto nas estrelas

A saudade embala minha dor
Que adormece
E no meu melhor sonho
Você ainda vem me amar...

Helio Jenné

Publicado originalmente em 25/6/2006 no site Cantigas Para a Lua

7 de jan. de 2008

Em qual oceano

Em qual oceano?


EM QUAL OCEANO
Helio Jenné

Quando penso em você
- e isto é o tempo inteiro -
Fico a imaginar como e se,
Mesmo sem me enxergar,
Você me vê... com qual olhar?
Se com seu lindo e profundo,
Analítico e feroz oceano esquerdo?
Ou com o mágico, lúdico,
Morno e meigo mar direito?
Hoje, de novo - mas você não vai saber -
Enfrento as piores procelas.
E nessa noite sem estrelas,
Uma pergunta flutua no ar:
Em qual dos seus oceanos vou me afogar?


Publicado originalmente em 28/12/2005
no site Cantigas Para a Lua



Finalmente, em Outubro de 2017, o poema encontrou sua música, composta por Paulo Malária e gravada no estúdio Pico do Ezzaet.




29 de dez. de 2007

Hoje não trago flores

Hoje não trago flores.
Só a tristeza trago.
Ela me acompanhou
Mesmo sem eu querer.
Sem ao menos perguntar se podia.

E multiplicou a dor
Esqueceu do prazer e da alegria
Hoje enfim descobri uma verdade.
Que o que tenho a oferecer
É muito menos do que pode conter
uma lágrima (furtiva e discreta).

Menos que uma ilusão passageira,
Ofereço o meu talento tosco e mal acabado.
O que oferto não enche um dedal
O que trago não pesa um grama
Mas tem o peso de uma dor aguda.
E isso é grave.

Hoje não trago flores.
Orquídea ou gerbera,
Mas uma tristeza, uma vergonha e uma certeza,
Que vieram a reboque, sem pedir licença
E estão à espera
Da uma palavra ou um sorriso seus.

Hoje não trago flores,
Trago a terra e o suor das estradas
Nas roupas, no rosto e nas botas...
Mas bem me queira.
Não tenho eira nem beira,
Apenas o resto da minha vida inteira.

Trago uma tristeza na palma da mão
Na outra, fechada, guardo a noite
Mas não pra você, que merece o sol.
Apenas para poder desdobrá-la
Quando estiver sozinho - que piada
E nela poder me esconder
Em meio a mais uma tormenta.

Como um náufrago
Que não se acostuma ao frio
Oceânico que o engole
Agarrado à única lasca de salvação
Que encontrou no mar revolto e escuta
Um Noturno de Chopin ou o adágio de Hadyn
(em mi maior para quarteto)
Uma nota sonolenta ecoa na minha cabeça
E uma tristeza longa flutua no meu ar.

Hoje não trago flores,
Mas uma voz de nicotina.
Nem a esperança trago agora
Mas toda a incerteza do mundo
E uma vontade louca de ir embora.
Partir ao seu encontro, menina,
E me aninhar nos seus braços
E me esquentar no seu colo
Que você me ofereceu uma vez
E aceitar seus carinhos sem pensar
Esquecer das horas em meu solo.

Helio Jenné

Publicada originalmente em 17/11/2006
no site Cantigas Para a Lua

25 de dez. de 2007

Divã de Pedra Blues

Helio Jenné em tempo de tempestade
Inicio este post muito desanimado. Estou triste, deprimido e sem vontade de escrever.
Mas como me impus esta tarefa, lá vou eu, ladeira abaixo, impulsionado pelas incertezas de um futuro que nem sei se existe. Por quê estou fazendo isso? para poder organizar as minhas idéias.
E por quê estou fazendo isso publicamente, neste blog? Porquê não estou fazendo tratamento algum e senti necessidade de expulsar alguns sentimentos da minha cabeça.
O que sou, onde cheguei, o que consegui? nada disso tem importância agora, porque meu coração e pensamento estão muito longe daqui, desta cadeira estofadinha e style. Estão numa cave escura, de onde não vejo a saída. Lá, sento no chão úmido de pedra, no fundo do buraco, e sinto o cheiro das paredes musguentas e quase as sinto me tocando.
Não quero mais criar imagens retóricas ou poéticas pra descrever uma situação dilacerante. Quero descobrir a saída dessa caverna nojenta.
Perdido dentro de um buraco sem luz e sem ar. Claustrofobia. Estou perdido dentro de um espaço que pensava conhecer, pelo menos um pouco: eu mesmo - Cento e noventa e quatro centímetros de angústia em busca de... em busca de... de... um acorde menor, que possa me levar numa viagem que tivesse um final.
Pelo menos, certamente, teria um estribilho, ao qual eu poderia recorrer, enquanto eu não conseguisse pescar novas rimas no espaço atemporal de uma composição.
O compasso é 2/4. Coração bate acelerado. A medida da tragédia é comparativamente nula, mas imensa de per si. Escrevo escrevo e não consigo aliviar a dor que os pensamentos recorrentes insistem em batucar na minha mente.
Como será o amanhã? responda quem puder, já disseram uma vez. Lembranças voam alvoroçadas ao meu redor, como morcegos que acabaram de acordar e precisam de ar puro. O bater das suas asas criam uma percussão maluca e um deslocamento de ar que esquenta meu corpo.
Nada como ouvir uma música linda pra me deixar menos mal: "You are so beautiful..." A abundância se contrapõe à escuridão e a lembrança de um mundo de luz entristece ainda mais minhas convicções...
Ah se eu tivesse uma viola, com quem eu pudesse, mais uma vez, confidenciar todas essas angústias...

Publicado originalmente em 17/2/2005 no blog Cantigas Para a Lua.

23 de nov. de 2007

Corredor de Ventania

Helio Jenné dedilha sua nova guitarra semi-acústica, em busca de novas harmonias

Certa vez você disse que fez
e mandou pela net, para mim,
Linda poesia escrita em inglês,
Cujo final era assim:
“And I realize that you'll always love me!“

Estava certa, madame…
Na hora não percebi o quanto
De encantamento havia nas palavras
Que cativaram o meu canto.

Tanto, que dia a dia leio e releio,
Tentando descobrir o quê, de fato
Provocou tamanho efeito,
No meu espírito insensato.

Seu amor bateu como brisa fresca,
Acalmou meu coração escaldado,
Arejou meu pensamento conturbado
Passou por mim, de passagem e,
Sem parar, seguiu viagem...
Deixando para trás um desejo abafado.

E eu...
-- que um dia, cheguei a sonhar
Ser seu oásis, seu nirvana,
Seu palco iluminado,
Em quem você mataria a sede,
A sua fome e a minha solidão insana --

Eu,
descobri tarde demais,
Ser apenas uma passagem,
Corredor de ventania,
Um prelúdio para a sua sinfonia.

Você ensaiou em mim
Seu Concerto de Aranjuez,
Um arranjo para quarteto de cordas,
Melodia inacabada,
Mas foi fazer seu show em outros palcos.

Deixou para trás um maluco ferido,
Que dias e noites, ensandecido,
Canta pro céu, olhando as nuvens,
E enxerga seu rosto até nas estrelas,
Esperando ver o seu olhar colorido...

Em terra de gigantes poderosos,
O que um Quixote rouco e deserto
Pode fazer, mas sangrar seus azuis
Contra os moinhos do tempo,
Se você nem está por perto?

O que um menestrel sem maldade,
Amoroso, mas pouco esperto,
(Como explicou Zimmerman)
costuma fazer a essa hora da manhã?
Eu tento inventar um acorde,
Que adormeça depressa
A dor da minha saudade.

Helio Jenné
25-5-2006

Diga alguma coisa!

Imagem - Acis e Galatea, de Auguste-Louis-Marie OttinImagem - Acis e Galatea, de Auguste-Louis-Marie Ottin

Diga alguma coisa!

Mas dizer o quê?
que amo e quero
e sonho acordado com você?
Isso já disse. Que ainda espero
mas não sei bem o quê, nem porquê?

Que a respiração pode ser quente
mas meu olhar, distante e frio
como aquela tarde de inverno...
Que minhas mãos errantes, tateiam no vazio,
em busca da sua rosa, de uma pétala ao menos,
mas a flor caiu no rio que leva os amores plenos

Que a minha inspiração vazou,
os pensamentos fugiram,
os neurônios, desmaiaram
mas meus demônios não dormiram?

Que enquanto minha saudade
fita o distante presente
como um pesadelo silente,
minha língua, o sabor doce do seu beijo, ainda sente?

Que o vento gelado me contou,
me assoprou no ouvido uma lenda
ao cortar minha carne macia,
de mim, de você, da gente

Não quero mais parte,
nem a metade aceito.
Se o todo é impossível, ai de mim,
como pode meia chama arder no peito?

Deixo assim, em desespero profundo,
no velho vento, a saudade
de tudo neste mundo
que não chegou a ser,
pra certamente, mais tarde,
voltar a me arrepender.

Amo, quero, preciso, espero.


Helio Jenné
11/12/2005

20 de nov. de 2007

Às Vezes



Às vezes sinto saudade
da sua presença irreal
da sua palavra nem sempre amiga
das cobranças nem sempre gentis
Os papos de me liga agora? ligo.
Já não ligo. Já não importa. Mentira.

Às vezes me pego a sonhar
um pensamento pescado no ar
um toque ... quatro destinos
- três confirmados e um monitorado -
por aparelhos e pelos olhos invisíveis da culpa
que se cruzaram em um breve momento
e não mais vão se encontrar

Às vezes me esforço para escutar
os ecos da sua voz
mas suas sombras se afastam no espaço
e só me resta a lembrança fragmentada
de dias contados nos dedos
lambuzados de chocolate

Às vezes, meu Deus, me ajude
a garganta incha
os olhos ardem
o peito se comprime,
mas lembro da profecia que dizia
que o amor pode passar,
mas a loucura resiste ao tempo
e é mais forte que tudo. Perene.

Às vezes eu tenho um momento de lucidez.

Helio Jenné
3/1/2005

Madrugada Maldita


A madrugada maldita
levou meu sono embora
e junto com a lua redonda e pálida
trouxe lembranças

que embaralham meus pensamentos
e me empurram mar a dentro,
sem expectativa de encontrar
terra firme novamente.

A maldita madrugada
que traz ruídos distantes
e lembranças gigantes,
para me assombrar e me cobrir de tristeza.

Ah noite longa, noite lenta, noite tensa
tantas palavras não ditas e tantas outras malditas
redemoinham ao meu redor...

Madrugada de dor e de saudade.
Quanto tempo para eu encontrar o alívio
que vem com o amanhecer,
trazido pelos primeiros raios de sol?

Por mais quantas vidas ainda vou ter que superar a dor da sua ausência?
Quantas madrugadas de pesadelos acordado conseguirei suportar?

Quero o sono dos infelizes, dos machucados e dos abandonados.
Só peço que esta noite acabe logo
pois então poderei torcer meu coração
e pendurá-lo no varal pra secar.

Helio Jenné
14/1/2005

Alquimia

William Fettes Douglas - The Alchemist (1855, óleo sobre tela)
Ilustração de Sir William Fettes Douglas (1822 - 1891)

Quisera fosse um alquimista
Para poder transformar
Minha derrota em conquista
E minha imensa tristeza
Em um punhado de alegria.
A saudade seria o elixir
Com o qual eu brindaria a dor de existir.
Então poder rir em gargalhada
Pela miséria superada.

Helio Jenné
18/1/2006

21 de set. de 2007

Um poeta perdeu sua musa

Um poeta perdeu sua musa, de3 Helio Jenné
Um poeta perdeu sua musa 

Helio Jenné

"Um poeta perdeu sua musa" é a manchete do dia.
Assim,
Sem razão ou motivo aparente.
Sua mente está confusa
Sem novidade boa e sem notícia ruim
O doido começa a pensar que é o início do fim.

Perdido em meio às estrelas que dançam à sua volta
Sem bússola ou compasso
astrolábio
O sujeito sem sorte imagina até a morte

Dos astros dispensa a escolta
e aperta o passo rumo ao norte...
“- Olho pro céu em busca de conforto e guarida
Mas as estrelas mudaram de lugar, sem avisar

Me deixaram entregue aos pensamentos
da minha alma perdida...”

Não adianta... esse homem está confuso e não tem jeito.
A dor no seu peito é conseqüência do que não foi feito
Desde o dia em que soltou a mão de sua musa
o poeta sem maldade não consegue descansar em paz.
O sono não vem, nem fome, nem sede.
Parece até que se alimenta da saudade... ele é capaz.

Chamo de "poeta sem maldade",
e todos o chamam assim na cidade.
É um sujeito infeliz, na verdade.
Feito um astronauta perdido no espaço sideral,
Que sem bússola ou astrolábio, já falei, olha 
desnorteado e perpelexo à sua volta, 360 graus.
 
Não teme o frio nem o breu;
Só quer encontrar a estrela, que de vista ele perdeu.
Ele chama pela estrela que perdeu, a sua amada.
Mas perdido quem está é ele, pobre pastor de palavras,

que não sabe lidar com a ausência de sua querida fada
e, sem ela,
não sabe mais dormir ou sorrir,
só andar com a cara amarrada.
O sono lhe chama, aperta seus olhos
e a saudade os lava, mas não se importa.
Nada importa. Ele não está nem aí.

Ele a procura, em todos os quadrantes do céu.
Monta guarda e aguarda, mais um dia amanhecer,
quem sabe algum cometa errante vem lhe fazer companhia...
nessa noite de lua pequena e de estrelas fugidias, quase dia.

Ele chama a sua amada quem diria, uma vez mais
Que de dia ele cuida da vida, mais uma mania.
A lua está crescente
Sua saudade aperta

A aurora chega perto e lhe dá bom dia!
 
Mas enfeitiçado, continua a escrever

Sem parar para pensar na rima certa

Que pode ser de alegria
E ele continua sem saber o que rolou...
Sua saudade apertou,
A aurora já chegou e o dia clareou.

O rap da madrugada virou batucada
Depois que o galo canta já é hora de acordar
Pro pesadelo
E ele chama a sua fada, pela última vez
Precisa dela pra escrever poesia

Que de dia ele cuida da vida,
mais uma mania.

16 de set. de 2007

Uma palavra só

imagem do sol que mostra explosões na superície da estrela, fotografada pelo telescópio HubbleImagem: explosão solar, Foto do telescópio Hubble

Uma palavra só
Helio Jenné

Uma palavra só
Pode causar dor.
Pode transformar
Desejo em torpor,
Sonhos em vapor.

Uma só palavra errada
Pode transformar
Bela manhã em noite sem luar,
Um beijo em bofetada.

Mais uma vez vejo o dia clarear.
Parece meu destino...
Em você passear o meu delírio.
Preciso de você bem.
Porque não fiquei calado,
Porque não disse sim,
Mesmo tendo arriscado
O fim

No entanto eu disse não
Quando queria dizer vem,
Não demore muito mais.

Eu quero o seu beijo.
Seja como for
Preciso da sua cor.

O sono não veio.
Penso em você.
Minha noite passou em dor.

14 de set. de 2007

Africano

 Helio Jenné - foto: Nina Victor

Eu,
africano, judeu, catalão
muçulmano incréu, irlandês
chinês, francês, afegão
favelado de uma situação,
esnobado, surrado, vilão...

Eu,
o rei sem teto,
sem chão e sem cetro.
Imigrante de outro mundo,
Onde cada palmo tem metro.

Eu,
Com a roupa roída pelo rato
que também roeu
a daquele outro, o de Roma.
tenho um canto que não sai da boca,
meu verso é em outro idioma
conto a vida em minutos-anos
insanos.

Eu
Um rei doente, em coma.
Quando é o tempo relativo...
Onde é aqui
A dor tão condensada em um único ponto
Que a misturo as claras às claras
e as bebo de um só gole.
Careta fria.
Minha corda, cadê a caçamba?

Eu
Acordo,
mais africano que o mundo,
Me sinto mais bicho
imundo
que aquele humano
Que remexe o lixo.

Helio Jenné

1 de abr. de 2005

O Limbo é bom


Estou no limbo.
O limbo é bom... Bem melhor que o inferno, que é muito frio!
Pelo menos quando se está no limbo fica-se invisível para o resto do mundo. Mas nem por isso é pra fazer merda, pô!
Quando se está no limbo é tempo de pensar nas coisas erradas que se fez para não fazer mais.
É a hora que se tem para tentar armar o bote com o qual se atravessa o grande rio e se alcança o futuro.
Quando se está com o pé enterrado no lodo do limbo, até que é bom, porque é a hora em que se bebe do passado para que o aprendizado seja melhor digerido.
Bom apetite, Scubi.


Helio Jenné

29 de mar. de 2005

Se Você Ainda Pudesse Amar...,

guarda-chuva

Se eu soubesse que você
Ainda é capaz de me amar

Se eu tivesse a mínima dúvida,
Não estaria tão doente.


Mas percebo que a minha luta apenas começou.
Depois da tempestade não é a bonança que se anuncia,
Mas outra ventania.

Só que desta vez, acompanhada do vazio.

Quisera eu fosse um pouco egoísta...
Certamente estaria sofrendo menos nessa pista.

Helio Jenné


28 de mar. de 2005

Prisioneiro



Hoje me sinto como um prisioneiro.
Prisioneiro da loucura alheia.

Quero mandar tudo pro inferno:
essa internet de bosta,
tudo isso que me envolve,
qualquer tipo de aposta,
nada que não se resolve.

Quando penso que as coisas estão se encaminhando...
PRONTO!
Chega um espírito de porco pra buzinar no meu ouvido e me deixar
TONTO.

"Me deixa, larga deu, sai de mim,
xô, vaitimbora coisa ruim!"

Uma sensação horrorosa.
"Olho, mas não vejo nada", diz o outro.
Mas não é pra ver, retruco aos berros:
É pra sentir, na carne, cravada de ferros.

Minha prisão é esse mundo
e minha dor é nesta vida.

Hoje, nada mais pode me alegrar.
Perdi o saco.

Vou dormir.

Helio Jenné

22 de mar. de 2005

Um arco-íris no meio da noite


Um arco-íris no meio da noite

No meio da noite escura,
um arco-íris se formou
e enfeitou o tapete negro
estendido no céu sem estrelas ou lua.

No meio da noite escura,
um tiro ecoou,
talvez para avisar
que esta noite já tem dono
e que você não passa
de um mero espectador
de um espetáculo deprimente.

Helio Jenné

20 de mar. de 2005

Todos tem seus problemas...

HelioweenAgora à noite me toquei que todos tem problemas.
Cada um tem os seus e durma-se com um barulho desses.
Pelo menos algumas pessoas procuram entender os dramas do outro, ou fingem que entendem e se solidarizam, "ou não..." como diz aquele outro poeta. Menos mal assim. Não sou o único.

Os problemas variam em número, gênero e grau e não se deve comparar, mas entender, apenas isso.
Não sei como vou dormir hoje. Provavelmente não vou...
Amanhã será o primeiro dia do resto da minha vida e os aparelhos precisam funcionar pro pré-cadáver ganhar uma sobrevida.

Foto: Helioween, de Nina Victor

11 de mar. de 2005

Consertando as coisas!

caixa de ferramentasAos poucos vou consertando os pequenos furos que encontro neste blog.
Acho que vale fazer isso, não? Bem, pelo menos ninguém vai me dizer o contrário... rs.
A vida é um eterno aprendizado!

Sobrinho Junior e Tio Buby confraternizam no Rio

Ruy Fortunato de Assis Junior e Helio Jenné - Sobrinho e tio confraternizam

Para mim foi uma alegria enorme reencontrar meu querido sobrinho Ruy Junior depois de tanto tempo. Pena que ele ficou aqui pouco tempo e nesse período eu ainda estava um verdadeiro lixo humano, sobrevivendo no rescaldo de um tsunami seguido de um terremoto de magnitude 9,5 na Escala Richter. Mas dias melhores virão e a gente ainda vai rir desse momento!

9 de mar. de 2005

Coração Tsunami, de Helio Jenné

imagem: A Grande Onda de Kanagawa, tela de Katsushika Hokusai"A Grande Onda de Kanagawa” de Katsushika Hokusai

Um tsunami abala meu coração e minha cabeça. Um tsunami por dia. Um tsunami por minuto. Tá bom ou quer mais? O tsunami não tem hora pra ir embora nem diminui com o passar das horas. Não. O tsunami aumenta. Sempre.

Ele foi provocado por distúrbios distantes, abalos sísmicos oriundos do espaço que chegaram pra arrasar o que estivesse pela frente.

Uma, duas, duzentas mil ondas gigantes de medo e pavor abalam o meu coração por segundo. Exageros à parte, a luz não está no fim do túnel, mas dentro da minha cabeça. Com as forças exauridas não pretendo lutar contra a maré irresistível e sedutora, que me leva pro fundo e me faz perder a consciência.

Dor.

Pavor.

Horror.

Estou sem forças e me vejo em pleno mar. Estou falando de fome mas, de barriga cheia não conheço a dor. Falo de amor, enquanto o ódio corrói meu esqueleto. Querro morrer, mas a vida me chama de papai. Quero chorar mas é a gargalhada sem fôlego que é expelida pela minha boca.

Minha lucidez foi pegar uma onda e eu fico tirando onda, em frente ao computador, minha janela, minha nave.

Minha estrela não espera que eu chegue. Eu mesmo não sei se conseguirei, mas tento chegar. Do jeito que for possível. Uma carona ia pegar bem...


Encontrei a ilustração no blog do Hiro

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